Cerveja artesanal e muita tranquilidade

10 maio
Empório Sagarana

Empório Sagarana

Por mais simpática que a Vila Madalena seja, conviver com a migração de bandos que se apinham na esquina da Aspicuelta e Mourato Coelho – pequeno pedaço de terra com condições ideais para encontrarem seus pares – tornou-se algo insuportável para os apreciadores da calmaria interiorana que a Vila é capaz oferecer.
Mas existe salvação. Ao sair correndo da esquina do fervo, é possível encontrar redutos que, mesmo em um sábado à noite, conservam a tranquilidade já tão esquecida pela nossa paulistânia desvairada.
Um desses redutos é o Empório Sagarana. Eles fecham cedo, têm um quase nada de mesas e a Ambev não passa muito por lá, o que, felizmente, já o exclui do mapa migratório. Muito além dessas ótimas qualidades, o Sagarana conta com uma carta de cervejas de fazer inveja a muitos bares exibidos que têm surgido por aí. A lista é extensa e os preços, acima dos ambevianos e abaixo das grifes, são justos. Para não se perder, peça ajuda aos poucos e simpáticos atendentes. Fica a dica de uma cerveja de trigo nacional chamada Três Lobos Exterminador (com capim limão – R$ 12), excepcional. Importante mencionar a carta de cachaças, motivo de orgulho para os donos e de real valor para os apreciadores do nosso mé.
Como um petisco para acompanhar e incentivar o levanta copos é obrigatório, eles oferecem porções que não são muitas, mas são saborosas e fartas. A cumbuca de amendoim japonês (R$ 12) garantia petisco para quatro pessoas noite afora. O queijo da canastra com pimenta rosa idem, fazia jus aos R$ 25 que cobravam.
Sente-se nos bancos de madeira na calçada, peça uma boa cerveja e um petisco. Esqueça o discurso saudável e tenha certeza que esta rotina pode fazer você desfrutar de uma vida longa e próspera.

http://www.emporiosagarana.com.br
Vila Madalena
Rua Aspicuelta, 271
Terças e Quartas das 14h às 20h
Quintas, Sextas e Sábados das 14h às 01h
Domingos das 12h as 17h

Vila Romana (matriz)
Rua Marco Aurélio, 883 e 887
Segundas e Terças das 17h às 00h
Quartas, Quintas, Sextas e Sábados das 17 às 01h

O post inevitável

29 abr
O interior do simpático La Tartine

O interior do simpático La Tartine

Os lugares que usualmente aguçam a minha escrita praticam preços justos e ainda são pouco explorados pelos bons de garfo que habitam a cena gastronômica de Sampa. No entanto, confesso que, ao repetir o nome deste simpático reduto e perceber que alguns amigos ainda não eram clientes cativos, compreendi que este post seria inevitável.
Refiro-me ao clássico La Tartine. A decoração é para lá de simpática, com a parede decorada com uma infinidade de quadrinhos com temas que vão de Torre Eiffel a Rita Pavone, de Roberto Carlos a Brigite Bardot (ainda jovens, felizmente). Perca-se observando. O andar superior, com alguns sofazinhos para espera, é tão aconchegante que faz com que você deseje uns minutos aguardando uma mesa, mas cuidado com o que deseja, a casa vive cheia e a espera pode passar do ponto.
Não tem como não recomendar as quiches com salada. Em muitos locais de São Paulo elas são servidas minúsculas, naquele formatinho de padaria, redondinha e sem graça, chega a dar tristeza. Lá não, a quiche vem assada e cortada na hora, em porção farta acompanhada com salada fresca e saboroso molho dijon (R$ 29). Os croques também são ótimos (R$ 27). Outros pratos quentes estão descritos na lousa do ‘salão principal’ – cuscuz marroquino, boeuf bourguignon, coq au vin – são saborosos e custam algo em torno de R$ 40. Vou de quiche ou croque.
A carta de vinhos é enxuta e apresenta vinhos razoáveis para quem deseja bebericar sem ficar discriminando aromas de frutas maduras, couro, tabaco e etc. A maioria dos rótulos custa entre R$ 36 a R$ 56 e acompanha muito bem as entradas, como as torradinhas com queijo de cabra e a tapenade de azeitonas pretas (ambas R$ 10). Para sobremesa divida a profiterole (R$ 12), em porção farta serve duas pessoas.
O La Tartine acolhe todos os tipos (casais hetero e homo, turmas de amigos, solitários – exceto crianças, nunca vi uma por lá), é simpático, tem comida saborosa e um preço justo. Caso você viva protestando contra os preços altos de São Paulo e nunca tenha passado por lá, corra. Aos habitués, peço desculpes pela obviedade deste post, mas era inevitável.

La Tartine
Rua Fernando de Albuquerque, 267
3259-2090 ou 3129-9591

A Amazônia é logo ali

19 abr
Fachada do Amazônia

Fachada do Amazônia

Muitos acreditam que o único jeito de provar ingredientes da saborosa e exótica culinária amazônica é visitando o premiado D.O.M., voando para Manaus ou aterrissando nos famosos e caros resorts ao pé da floresta. Nada disso. É possível encontrar o sabor do Norte logo ali, no tradicional, e esquecido pelos mais abastados, Bixiga.
A preços atraentes, o restaurante Amazônia oferece maravilhas fresquinhas vindas do Norte. O dono é paraense e responsável por manter as receitas intactas, sem releituras, sem frufru. Agora, importante: não espere encontrar um ambiente cercado de luxo e requinte. O restaurante é despojado, daqueles nos quais você entra de bermuda e chinelo e se sente totalmente à vontade.
Uma vez lá, experimente a sequinha porção de bolinho de macaxeira (R$ 17) ou a deliciosa casquinha de caranguejo (R$ 15), que não tem nada de parmesão gratinado e sim uma farta camada de farofa crocante no melhor estilo nortista. Tudo acompanhado com cerveja de garrafa 600 ml (R$ 8,50) ou sucos de frutas regionais (R$6,90).
Para os pratos, vá de tacacá (R$ 17), um caldo muito saboroso – believe me – mas impossível de ser descrito com sucesso, uma vez que todos os seus ingredientes são indígenas e pouco conhecidos pelos paulistanos, ou peça o clássico pato no tucupi (R$ 74, para dois).
Na sobremesa, atire-se nos sorvetes vindos das melhores sorveterias do Pará (R$ 9, duas bolas) ou no creme de cupuaçu (R$ 8,50), fruta adorada pelos principais chefs de Sampa. A receita era idêntica a da minha avó, acreana.
Um cheiro da conta (para duas pessoas): R$ 120,00 (inclui 2 cervejas 600 ml, 1 porção de bolinho de macaxeira, 1 Pato no Tucupi e 1 sorvete).
Sempre que bate a saudade, lembro que a Amazônia é logo ali.

Amazônia
Rua Rui Barbosa 206
Almoço: Todos os dias (exceto terças)
Jantar: Quarta à Sábado
http://restauranteamazonia.wordpress.com/

Agora, vamos falar de Sampa!

17 abr

A partir dos próximos dias, irei vasculhar São Paulo em busca de lugares que nos permitam usufruir de ótimas experiências sem precisarmos gastar os tubos. Muitos amigos dizem que estou meio tantã, doidoda mesmo, que lugares assim não existem mais em nossa cidade. Ledo engano. Este espaço irá mostrar alternativas a preços justos que estão mais próximas do que imaginamos.
Importante frisar que o foco continuará sendo vivências gastronômicas. Portanto, não espere encontrar aqui uma lista de quilões cujo único atrativo é o preço baixo. Só estarão presentes lugares que possuam um sabor todo especial.
Outro aviso fundamental: querer desfrutar em terras brasileiras de experiências gastronômicas idênticas às vivenciadas em outros países é, além de uma grande ilusão, uma tentativa que certamente sairá caro. Gosta de trufas? Neste lado dos trópicos não será possível degustá-las por um preço razoável. Quer beber vinho europeu estrelado? Pague caro ou esqueça.
Então amigos, vamos nos entregar ao que é nosso, paulistano da gema, a uma gastronomia tão diversa, justamente por incluir diferentes culturas, e que dificilmente cairá na monotonia.
Vamos lá?

6 passos para encontrar o seu oásis gastronômico

12 abr

Vamos lá, muitos amigos me questionam como consigo encontrar tantas delícias quando viajo, mesmo que para lugares nunca antes explorados. Seguem aqui algumas dicas que podem fazer a sua próxima viagem ainda mais saborosa:
1. Você tem fome de que?
Saiba que tipo (s) de lugar (s) você deseja conhecer em seu destino. Parece simples, mas poucos param para pensar em quais experiências desejam priorizar. Gosta de trufas? Busque saber se está na estação e quais os lugares especializados. Quer visitar os bares mais genuínos e tradicionais da cidade? Entrar em um bar-badalação pode ser uma frustração bastante custosa. Não come peixe? O melhor restaurante de frutos do mar pode ser uma péssima experiência.
2. Quer tudo aberto quando bate a fome, bebê?
Os brasileiros, principalmente os paulistanos, acreditam que todos os restaurantes, bares e padarias do mundo ficam abertos 24 horas. A maioria dos restaurantes na Europa fecha às 15:00, em alguns lugares até mesmo às 14:00, horário em que muitos de nós estamos saindo de casa para almoçar em terras brasileiras. Padarias muitas vezes fecham às 20:00, e assim por diante. Ficar com fome às 16:00 é provável sinônimo de um lanche rápido ou uma comida sem graça.
3. Quer abraçar o capeta?
Imagine que todo restaurante situado na via arterial do tráfego turístico que possui cardápio com fotos dos pratos de péssimo apuro visual e moços na porta recrutando viajantes famélicos seja a porta do inferno. Radical assim. Caso a fome seja avassaladora, compre uma água e encha a pança, afinal, aquela é a entrada do Hades. Fuja dele!
4. www.
Busque informação. Qualquer tentativa é válida se você já sabe que tipo de experiência deseja. Caso ainda não saiba, pode ficar perdido com tanta informação existente na web. Antes de viajar pesquise, a internet está cheia de blogs, apps, sites e uma infinidade de outros formatos que certamente irão te ajudar. Para Roma e Florença busque os apps da Elizabeth Minchilli.
5. Per favore…? Please…? S’il vous plaît…?
Uma vez offline, procure pedir uma recomendação. Mas assim? No meio da rua? Nada disso. Use seu radar social para entender qual a melhor fonte de informação disponível. Tem um excelente café ali na frente? Entre e pergunte qual é a melhor trattoria da vizinhança. Passou por um uma charmosa galeria? Peça pelo melhor café ali por perto. Está na frente de um hotel simpático? Pergunte qual a melhor padaria do bairro. Esqueça a vergonha e solte o verbo.
6. Use os sentidos!
Não tenha nenhuma vergonha. Take your time. Observe os produtos na vitrine da padaria, veja se existem locais entrando, peça para ler o cardápio antes sentar, sinta a atmosfera do bar, siga o cheirinho gostoso daquela doceria e etc. Aqui, todos os sentidos são relevantes.
É isso aí. Espero ter ajudado!

Obs: essas dicas são válidas para a maioria das cidades turísticas. Não faço ideia da dinâmica gastronômica do Cazaquistão ou de Papua Nova Guiné.

Em Pisa, fuja da torre

10 abr

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Como este é um espaço que privilegia a vivência gastronômica, aviso aos navegantes, uma vez em Pisa, para uma boa comida, fuja da torre pendente. Ela fica na lindíssima Piazza dei Miracoli, que merece uma visita cuidadosa já que, muito além da torre, possui uma basílica, batistério e cemitério que compõem um dos mais belos cenários da Itália.
Mas na hora da fome, fuja dali! Não pela sensação incrível de cai-não-cai gerada pela torre, mas porque ali proliferam arapucas responsáveis por falácias emitidas por turistas recém aterrissados da Itália como “a massa de lá não é tãão boa assim”.
A dica para esta pequena cidade é caminhar até a bela Piazza dei Cavalieri. Ande uns 50 metros e busque pela escondida Osteria dei Cavalieri. Ao entrar no tradicional restaurante, a música já dá as boas vindas. Não, nada de tarantella, era ela, Billie Holiday.
O cardápio é sucinto, mas todos os pratos me convidavam para mais uma tarde de esbórnia gastronômica. O vinho da casa era muito bom. As entradas melhores ainda: Pasta frita com prosciutto, típica da toscana, vem com um pão fofinho frito e com tenras fatias de prosciutto. Para os mais audazes, como fui, peçam a tripa. Sim, estando aqui peçam o que é daqui. Não sou uma grande fã de buchada e afins, mas esta tripa estava divina, servida em fatias fininhas e cozida com uma redução de tomate, ervas e pedaços de limão siciliano, este último fundamental para trazer leveza ao prato.
As massas eram artesanais e muito saborosas, a de funghi era feita com porcini produzido por eles mesmo a poucos minutos dali. Para sobremesa, invista no sorvete crocante da casa ou na bavarese de chocolate, claro, acompanhados com vin santo, que exalava aroma de mel.
Volte para a piazza e admire mais um vez esta beleza da humanidade. Sorria ou chore de emoção.

Osteria dei Cavalieri
http://www.osteriacavalieri.pisa.it

Quando perder-se é o melhor caminho

7 abr
Entrada da vinícola Castellare di Castellina

Entrada da vinícola Castellare di Castellina

Ao alugar um carro com uma amiga em Florença decidimos seguir em direção a Siena, uma belíssima cidade medieval. O caminho mais rápido e prático seria o da auto-estrada. Mas, obviamente, como amantes da arte do se perder, escolhemos seguir pela via mais tortuosa e demorada.
Alguns quilômetros Florença afora encontramos uma bela paisagem e um pequeno castelo de pedra com a hipnotizante chamada: degustazione del vino. Trocamos um breve olhar e decidimos parar. Era o que precisávamos para despertar. Seguimos viagem após gargarejar 3 tintos e admirar um lindo pedaço da Toscana.
Para rebater, fizemos uma pausa na pequena Greve in Chianti. Caffè latte e internet locais nos ajudaram a encontrar no mapa um dos melhores produtores de Chianti Clássico, o Castellare di Castellina. Seguimos ao seu encontro. Ao desligar o carro, o único ruído era o da nossa respiração. O ar gelado cheirava a lareira ardendo e a vista era arrebatadora. No alto daquela montanha, que mais parecia a recepção dos céus, produzia-se um excelente chianti e um azeite muito aromático. Degustamos, vinho e azeite. Ainda era manhã.
Seguimos para San Gimignano sabendo da necessidade fisiológica por algum alimento sólido. Pasmem. A pequeníssima-cinematográfica cidade de pedra e campanários tinha um ótimo restaurante, o Bel Soggiorno. Linda vista, boa comida e mais um pouco de vinho local nos encorajaram a seguir viagem. Antes, claro, um semi cochilo ao sol na praça principal.
Em Siena, nada de vinho, apenas sorvete e café. Molto café. Admiramos uma das mais belas praças do mundo, a Piazza del Campo.
Ao retornar, o saber silencioso que a beleza está na coragem em escolhermos o melhor caminho para nossas vidas, certas que este, provavelmente, será longo e cheio de perder-se. Para facilitar as coisas, fica a dica de encontrar, vez ou outra, algum castelinho de pedra para um pit stop.

Aviso para qualquer autoridade italiana: este blog é apenas uma ficção. Nenhuma turista ousou dirigir um carro tendo bebido qualquer quantidade de vinho.

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